segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Santa Cruzada por Trân Minh Nhât




Santa Cruzada por Trân Minh Nhât

Sergio Bertoli

Paul Trân Minh Nhât

        Paul Trân Minh Nhât, jovem estudante vietnamita, encontra-se em alguma masmorra do mundo comunista.               Provavelmente ferido pelo efeito dos maus tratos, em especial psicológicos, que são próprios a estes Neros de nossa época.
Qual seu crime?
Seu “compromisso em atividades militantes relacionadas à educação cristã recebida dos seus pais”.
Tran, na véspera de sua prisão, escreveu uma longa carta que parece ser de despedida onde mostra que já esperava uma intervenção da polícia que o seguia e controlava seus movimentos há algum tempo e termina agradecendo a seus pais pela fé que recebeu dos mesmos.
Em 27 de agosto último, ele terminava seus estudos. No final da sua última prova, quando saia da sala, quatro agentes de segurança uniformizados o acompanharam até a porta da universidade e o obrigaram a entrar em um carro que o esperava. Desde este dia, sua família não recebeu nenhuma notificação de detenção.
         Mil considerações gostaria de fazer a propósito deste episódio. Desde a indiferença do mundo para com Tran, até o farisaísmo daqueles radicais que vivem gritando em defesa dos tais direitos do homem, declaração nascida do espírito nefasto da malfadada Revolução Francesa.
        Mas prefiro abordar o assunto sob outro aspecto.
        Acompanhei durante bom tempo um determinado apostolado onde os participantes, que eram rotativos, escreviam as intenções de pedidos de orações.
        No total a maior parte destas intenções tinha um denominador comum, “para que meu marido consiga logo um novo emprego”, “para que minha filha arranje um bom noivo”, “para que eu seja curado de …..”, e por ai seguia…
        Muito raramente apareciam intenções como, “para que Deus Nosso Senhor converta o mundo atual”, “em desagravo ao Sagrado Coração de Jesus e ao Imaculado Coração de Maria pelos pecados cometidos nos dias de hoje”, “Pelo triunfo do Reino de Deus nos corações” etc, etc.
       Quem sou eu para condenar o pedido por uma intenção pessoal dentro de tantas aflições em que passamos no momento presente. O que me impressiona é o egocentrismo predominante no geral do homem contemporâneo.
       Em plena Idade Média, ao saber do sofrimento dos peregrinos católicos na Terra Santa o Bem Aventurado Papa Urbano II convocou uma Cruzada, aliás tão caluniada e execrada nestes séculos de impiedade – tal seria se não fosse assim… “me diga quem criticas que eu te direi quem tu és”.        Participaram desta cruzada Santos, reis, pessoas de alta condição pessoal e porque não, com muito entusiasmo o “petit peuple de Dieu”.
       Tran e todos aqueles que passam por sofrimentos indizíveis, porque exerceram o dom que receberam no santo Crisma, a Fortaleza, bem que mereciam uma Santa Cruzada de orações, de manifestações, de preocupações indignadas daqueles que se honram de serem chamados CRISTÃOS.

Publicado em: http://www.ipco.org.br/home/noticias/santa-cruzada-por-tran-minh-nhat#comments

Rocha
20, setembro, 2011 em 03:08 | #1
Sr. Lorêdo,
Com todo o merecido respeito, parabéns na parte do repúdio à tal “Pitomba”.
Mas não se entende e não se justifica a “comercialização de obras de notórios autores anti-cristãos”. É uma questão de liberdade empresarial: optar somente por obras que realmente edificam a integralidade do leitor e não apenas este ou aquele aspecto da intelectualidade à custa do prejuízo à alma e à moralidade Cristã.
As outras obras… já há outros que as comercializam fartamente; não é um papel Cristão.
Fraternalmente, Paz e Bem, DEUS o ilumine.
19, setembro, 2011 em 12:33 | #2
Prezados amigos,
A revista Pitomba, daqui de São Luís, publicou quadrinhos em que N.S. Jesus Cristo é retratado como ladrão, drogado, libertino e beberrão.
14, setembro, 2011 em 14:12 | #3
E os idiotas ainda dizem que os Estados Unidos perderam a guerra!
Sim, de fato, a grande nação cristã perdeu a guerra, mas não em campo de batalha, e sim por conta da contínua traição de elementos internos.
Os comunas deviam ser mais gratos ao sr. Henry Kissinger, diplomata que assinou o acordo de cessar-fogo, pelo qual, aliás, ganhou o Nobel da Paz.
Aí está a “paz” que os fariseus, comunas e inocentes úteis tanto acalentaram!
Gilmara
14, setembro, 2011 em 11:39 | #4
Rezei por Paul…e rezarei, agradeço ao site por esta oportunidade de saber a verdade, notícias que não são divulgadas, corta meu coração mas me dá oportunidade de rezar por este irmão em Cristo, ao menos isto… que tristeza este comunismo assassino ! e o mundo se cala diante de todo tipo de violação de direito…
Anthony Ferreira
14, setembro, 2011 em 11:36 | #5
Combater com o terço numa mão e a espada na outra!
Rocha
14, setembro, 2011 em 03:31 | #6
Perdão, Altíssimo, com A maiúsculo obviamente.
Rocha
14, setembro, 2011 em 03:30 | #7
DEUS abençoe e proteja Paul Trân Minh Nhât, heroico candidato a mártir (se já não o é).
Que o altíssimo nos fortaleça para igual testemunho, se necessário, e para lutarmos já e sempre pela restauração da Civilização Católica!

O papel da mulher na sociedade cristã


O papel da mulher na sociedade cristã

Sergio Bertoli

A Rainha do Universo, na invocação de Mater Admirabilis,
 é representada como uma humilde fiadeira
Proclamada a República no Brasil, muitos esperavam novos hábitos, novos costumes, novos procedimentos; enfim, nova mentalidade. Em certo sentido foi o que aconteceu; mas em outro sentido, não. 

A chamada República velha manteve na sociedade brasileira, de algum modo até acrescido, um ambiente aristocrático e nobre, muito influenciado pela cultura francesa.

Na vida de família, apesar de defeitos notórios, prezava-se uma formação moral autêntica, influenciada por uma elite católica de escol. Em especial, tinha-se cuidado com a formação e preservação das filhas, adorno indispensável das famílias dignas deste nome.

Como tratamos em artigo anterior, esta elite vinha sendo impulsionada por pessoas do porte de um D. Antonio Joaquim de Melo, fiel seguidor das orientações do Papa Pio IX; de um D. Vital, bispo de Olinda; ou de uma Madre Teodora de Voiron, semeadora de grande obra apostólica. Muitas outras figuras de destaque faziam parte desse rol admirável de católicos autênticos e zelosos.

“A mulher forte, viril, isenta do feminismo moderno”


O dia 13 de dezembro de 1916 foi especialmente festivo. Era a data da formatura de uma turma de moças do Colégio Nossa Senhora do Patrocínio em Itu, cidade do interior paulista. Comoveu o público presente o discurso de uma das privilegiadas formandas, que depois dos habituais cumprimentos às autoridades, aos pais e ao público em geral, narrou um episódio da Roma antiga, do qual tirou uma nobre lição. 

Transcrevemos alguns trechos desse discurso:

“Ao redor de Roma, um sábio arqueólogo ouve ansioso os golpes da picareta. De súbito, no meio da terra úmida encontra uma pedra tumular. O túmulo é de uma senhora. De quem seria? De Clélia, Túlia, Vetúria, Cornélia, célebres mulheres da Roma antiga, cada uma tendo se destacando por uma atitude que deixou marcas na História?

O sábio procura, procura sempre alguma inscrição. A noite já se projetava em largas sombras, quando consegue decifrar este epitáfio: ‘Ela fiou a lã e velou sobre a casa’.

Resumo de uma vida toda. Que geração de heróis saiu, talvez, dessa obscura matrona, cujo nome a posteridade devia ignorar? Ó mulher, dize-nos o segredo de tua existência! Ensina-nos onde se acha a sabedoria: a quem devemos dar razão? À antiga matrona fiando em sua casa, ou à Eva moderna, ávida de ostentação, de glória, de emancipação, de direitos iguais aos do homem?

A primeira impressão foi de um sentimento de revolta contra a obscuridade a que fora condenada aquela existência. Fiou a lã e velou sobre a casa. Aparenta-se não haver nisto nem muito mérito, nem muita virtude.

Reflexões mais profundas revelam coisa diversa. Esta mulher cumpriu verdadeiramente o seu destino, legando à posteridade o exemplo da mais alta sabedoria. O lar é o lugar que mais convém à mulher. Não é ela a alma da família, o centro ao redor do qual gravitam todas as afeições? Esposo e filhos querem vê-la ali no meio deles, a toda hora, como um farol luminoso, com uma misericordiosa providência, para indicar-lhes o dever, ensinar-lhes a virtude, consolá-los nas tristezas, compartilhar as alegrias. Sim, mais que da matrona pagã, o lar é o lugar da cristã. Este foi o lugar de Maria. E Maria, Mãe de Deus, não é a mais augusta, a mais gloriosa, a mais santa de todas as mulheres?

Pais, vossas filhas serão no porvir a vossa glória, o vosso conforto, compendiando em toda a sua vida as imortais palavras descobertas pelo arqueólogo, resumindo essas virtudes que farão a mulher forte, viril, isenta do feminismo moderno, fiel, dedicada até o heroísmo no cumprimento do dever. Nossas educadoras nos fazem cotidianamente haurir, na fonte da ciência literário-artística, a verdadeira e sólida educação cristã. Ufano-me em dizê-lo, é um laboratório aquecido ao lume da fé robusta, onde se formaram nossas diletas mães e essas legiões de senhoras que na família, na sociedade cristã, brilham quais jóias preciosas, preparadas com o mesmo carinho e esmero com que nos preparam hoje para tesouro do futuro”.*

Feminismo: o que demônio promete mas não dá


O lar é o lugar que mais convém à mulher.
Não é ela a alma da família, o centro ao redor
do qual gravitam todas as afeições?
Outros tempos, outros costumes, outra vida. A doutrina católica tradicional estava na dianteira da formação dessa mentalidade. Nenhuma instituição dignificou mais a mulher do que a Igreja. A situação do sexo feminino no mundo antigo era inteiramente diversa da atitude que se passou a tomar em relação à mulher na civilização cristã: No paganismo, ela era quase uma escrava; a santa Igreja esculpiu na prática o que Deus Nosso Senhor traçou como modelo da mulher ideal.

Inúmeras são as mulheres que a Igreja apresenta como exemplos ao longo da História, formadas segundo seus veneráveis princípios: Santa Helena, Santa Clotilde, Santa Isabel da Hungria, Isabel a Católica, Branca de Castela, Santa Teresa de Ávila, mais recentemente Santa Teresinha, e quantas outras.

Que reações provocará este artigo em mentalidades imbuídas do ambiente mundano, tão condenado pelo Apóstolo das Gentes? Fúrias, indignações, ironias? Cansamo-nos de ouvir expressões como estas: “Isto é machismo”; “a mulher tem que desfrutar sua independência”; “não sirvo para ser doméstica”, e quantas coisas mais...

Como se costuma dizer, o demônio não dá o que promete. Quantas lamentações ouvem-se hoje em dia de mães que, além de cumprir todas as tarefas do lar, têm que executar algum trabalho profissional que decidiram assumir, ou a isso viram-se obrigadas! Quantos lares desfeitos! Como diz um provérbio: “Expulsai o que é natural, e ele voltará a galope”.

Se é certo, como dizem numerosas profecias particulares, que este mundo não se libertará de sua situação anticristã e neopagã, a não ser por meio de uma intervenção especial da Providência Divina, peçamos essa pronta interferência para que seja restaurado o papel fundamental, e quão grandioso, da mulher na sociedade, a exemplo da Santíssima Virgem, Mãe de todas as mães.

____________
Nota:
* - Ivan A . Manoel, A Igreja e a educação feminina (1859-1919), Editora da Universidade Estadual Paulista (UNESP), São Paulo, 1996, pp. 13 e 14

Publicado em: http://www.catolicismo.com.br/materia/materia.cfm/idmat/AB674788-3048-313C-2E42BC3D82871C31/mes/Mar%C3%A7o2011 

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Brasil Tradicional

Brasil Tradicional

D. Antonio Joaquim de Melo — o sétimo bispo de São Paulo, antiliberal, era obediente e fiel seguidor de Pio IX
Bem-aventurado Papa Pio IX
D. Vital Maria Gonçalves de Oliveira, frade capuchinho e futuro arcebispo de Olinda e Recife. Presente em Itu, ele orientava e atendia as irmãs de São José de Chambéry.
Revivescência católica em São Paulo no século XIX
Seguindo diretrizes do bem-aventurado Pio IX, D. Antonio Joaquim de Melo iniciou grandiosa obra de educação cristã da juventude paulista, a qual perdurou por mais de um século

Sergio Bertoli

— Tá, Pá Titá.
Inocente, a orfanzinha de quatro anos, com linguagem ainda bastante atrapalhada, aproxima-se do novo bispo e lhe oferece um alfinete, com a ponta voltada para ele. O que queriam dizer aquelas palavras?

— Tome, padre Vital.

Impressionado, o sacerdote volta-se para Madre Teodora de Voiron e diz:

— Sabe, minha Madre, que muitas vezes Deus se serve dos inocentes para nos manifestar seus desígnios?

Pouco tempo antes, após a bênção vespertina do Santíssimo Sacramento, o religioso permanecera por longo tempo prostrado aos pés do altar. Quando saía dali, Madre Teodora notou-lhe o congestionamento do rosto coberto de lágrimas. Perguntou-lhe sobre sua saúde, e por resposta tomou conhecimento da revelação que ele acabara de ter sobre os terríveis sofrimentos que o aguardavam, e que o haviam aterrado. Madre Teodora pôde testemunhar depois os tormentos que lhe foram infligidos.

O religioso era o jovem frade capuchinho e futuro arcebispo de Olinda e Recife, o grande D. Vital Maria Gonçalves de Oliveira. Presente em Itu, ele orientava e atendia as irmãs de São José de Chambéry, do Colégio do Patrocínio dessa cidade paulista. Poucos anos antes elas tinham iniciado a grande obra de educação das moças da elite paulista. Não só da elite, mas também de orfanzinhas entre as quais estava a do episódio do alfinete.

Providencial retorno do capuchinho ao Brasil

Frei Vital havia recebido o hábito de São Francisco no convento dos capuchinhos em Versalhes, na França. De saúde muito frágil, que se ressentira com os rigores do clima europeu, seus superiores enviaram-no de volta à Terra de Santa Cruz, seu querido Brasil.

As irmãs do Colégio do Patrocínio de Itu haviam perdido pouco antes seu capelão, Pe. Goud. Madre Teodora, movida por zelo apostólico, afligia-se com a falta dos socorros espirituais, tão necessários à comunidade religiosa e às alunas do Colégio do Patrocínio. Alma com profunda vida interior, ela sabia que, sem a graça de Deus, todo trabalho de formação e apostolado seria em vão.

As freiras recebiam assistência espiritual dos capuchinhos de São Paulo. De 15 em 15 dias, um deles chegava àquele local depois de viajar por 12 horas a fio, ora durante a noite iluminada pelo luar, ora sob o aguaceiro de tormentosas tempestades. O religioso passava o dia atendendo confissões, aconselhando, distribuindo a Sagrada Eucaristia, para no final da tarde voltar a São Paulo no dorso de um animal, onde continuava sua tarefa de educação. Desta forma, o grande defensor da fé esteve providencialmente presente na origem desta magnífica obra — o Colégio do Patrocínio de Itu.

Recristianização da sociedade contra o catolicismo liberal

Foram apenas Frei Vital e Madre Teodora de Voiron os autores dessa grande obra?

Não. A história contada nos bancos escolares freqüentemente omite nomes de valorosas figuras. Propositadamente? O tempo — ou talvez só no Juízo Universal — no-lo dirá. Como se chamavam esses heróis anônimos que escreveram magníficos episódios do Brasil real e autêntico, e que tantos frutos benéficos deixaram para a formação de numerosas almas de escol nesta nossa querida e sofrida Pátria?

A autêntica obra educativa católica no País está diretamente ligada ao surto da reação contra-revolucionária do bem-aventurado Papa Pio IX. Antes dele, o iluminismo, o enciclopedismo e a Revolução Francesa disseminaram o anticlericalismo e o ódio contra a Santa Igreja, tomando proporções nunca vistas. Pio IX discerniu a necessidade de um novo programa universal de recristianização da sociedade, proclamando dogmas, reafirmando verdades eternas.


O Padre Diogo Feijó (à dir.) influenciado pelas idéias do Marquês de Pombal, como boa parte do clero brasileiro, defendia uma reforma “progressista” na Igreja na época
Infelizmente o clero brasileiro estava imbuído da influência nefasta do Marquês de Pombal e da sua política anticatólica. Os "progressistas" da época, artífices no Brasil da política do catolicismo liberal, eram padres como Joaquim Manoel Gonçalves de Andrade, Sebastião Pinto do Rego (futuro bispo), Cônego Ildefonso Xavier Ferreira, Padre Manoel Joaquim do Amaral Gurgel, e na vanguarda destes o Padre Diogo Feijó. Queriam eles a "modernização" e a emancipação da Igreja Católica no Brasil em relação à orientação doutrinária de Roma. Parte desse clero, denominado "pombalino", estava engajada numa atividade política revolucionária e ocupava cargos como, por exemplo, de deputado provincial, diretor de faculdade e presidente da Província de São Paulo.

Foram esses padres "modernistas" que se opuseram à obra reformadora do clero e da educação levada a cabo pelo valoroso D. Antonio Joaquim de Melo — o sétimo bispo de São Paulo, mas o primeiro nascido no Brasil — que ocupou a Sé paulista entre 1851 e 1861. Anti-liberal, com verdadeira vocação de pastor, era obediente e fiel seguidor de Pio IX. Projetava para sua diocese o início de uma obra monumental que perduraria por mais de um século: a educação cristã da juventude, e como conseqüência a da sociedade. Seu grande projeto orientava decididamente a atividade pastoral no sentido contrário à tendência do "clero pombalino".

Primazia na formação da juventude

D. Antonio decidira-se pela vida religiosa aos 19 anos, e em 1814 foi ordenado sacerdote. Tornou-se bispo de São Paulo em 1851, aos 60 anos de idade, por indicação de D. Pedro II. Seguindo as metas universais do bem-aventurado Pio IX, atraiu para São Paulo os padres capuchinhos. As irmãs de São José de Chambéry, da Sabóia (França), foram convidadas para fundar o Colégio do Patrocínio em Itu. A liderança das irmãs ficou a cargo de uma alma de escol, Madre Maria Teodora de Voiron (hoje Venerável), fundadora da Província Brasileira das irmãs de São José.

Apesar da decadência da sociedade daquela época no plano político e nos costumes, os patriarcas da elite paulista desejavam ainda uma boa formação moral para suas filhas, e aqueles religiosos vieram ao encontro dessas aspirações. Surgiram então os famosos internatos, em especial para moças. Ali se aprendiam línguas, cultura clássica, boas maneiras e todas as virtudes e atividades próprias ao sexo feminino, com base nos princípios e ensinamentos da Igreja. O "movimento feminista", a respeito do qual poderemos tratar em momento apropriado, mal começava a colocar a cabeça de fora.

O Colégio Nossa Senhora do Patrocínio, fundado em 1859 em Itu, tornou-se o início de um processo de irradiação de escolas particulares católicas por todo o estado de São Paulo. De tal forma que em 1959 contavam-se 139 dessas escolas espalhadas pelas mais importantes cidades paulistas.

Desde o início de nossa história o genuíno ensino católico predominou, graças à ação das ordens religiosas. Mas a partir de 1960, especialmente com a difusão mais intensa do chamado progressismo, infelizmente o magistério católico enveredou por outros rumos.

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Obras consultadas:
Olívia Sebastiana Silva, Uma Alma de Fé,  Madre Maria Teodora Voiron, 5ª Edição, Ave Maria Ltda., São Paulo, 1985.
Ivan A. Manoel, Igreja e educação feminina (1859-1919). Uma face do conservadorismo — Editora da Universidade Estadual Paulista, São Paulo, 1996.
Madre Maria Teodora de Voiron (hoje Venerável), fundadora da Província Brasileira das irmãs de São José
Alunas do Colégio Nossa Senhora do Patrocínio, fundado em 1859 em Itu, que se tornou o início de um proces so de irradiação de escolas particulares católicas por todo o estado de São Paulo
Igreja do Patrocínio nos dias de hoje. Nela está sepultada Madre Teodora.
Representação de como era a Igreja do Patrocínio no início.